Resumo da Missão África - Parte I
por Paulo Silva
Cruzando as fronteiras.
Missão África - Parte I.
Há muitos anos que o meu coração queima pelo continente africano. Sem dúvidas Deus está marcando este continente para uma grande colheita e ficaremos surpresos quando nossos irmãos africanos se levantarem na força do Senhor para proclamar o Seu ano aceitável e sacudirem aquele lugar de ponta a ponta.
“Oh África, oh África, o Senhor sussitará das tuas entranhas o choro pela restauração e a alegria da redenção. Oh África, os teus muros estão perpetuamente diante de Deus e a tua orfandade já não mais existirá, pois por um novo nome o Pai te chamará. Serás chamada de abundante, porque a dor do teu passado não se comparará aos gritos de júbilo e alegria que virá sobre os teus filhos. Teus pequenos não andarão mais errantes e perdidos; já não lhes faltará o pão, nem veste, pois o próprio Senhor será teu alimento e vestimenta. Oh África, espera no Senhor, rende-te a Ele, canta de alegria e celebra o jubileu do Messias, pois o Senhor te envia LUZ, PÃO e ÁGUA. Aguarda, aguarda.”
Em 2010, no meio do ano recebi um convite especial de um amado irmão meu – Pr. Junior Simões, do ministério Pertence ao Senhor. O convite era para estar junto com ele numa missão a África – Moçambique, onde estaríamos servindo aos amados irmãos africanos através do Pr. Pedro que é o fundador da Igreja de Jesus Cristo em Moçambique. Este homem é um ex-combatente da guerra pela libertação de Moçambique que terminou em 1992. Ele teve um encontro com Deus através de algumas experiências onde Jesus o instruiu em vários pontos e o guiou a caminhar por um caminho reto. Por sua decisão de seguir a Jesus ele ficou preso 3 anos, onde pregou na cadeia para os companheiros de cela e os instruiu no evangelho de Cristo. A todos estes ele enviou às suas regiões e os orientou a abrirem igrejas e pregarem o evangelho do Reino, pois posteriormente ao sair da prisão, ele mesmo os visitaria. Desta atitude 17 igrejas foram abertas em diferentes pontos da nação e hoje esta obra conta com cerca de 5 mil membros espalhados em diferentes lugares em Moçambique.
Panorama – África, Moçambique.
Uma coisa era certa, esta viagem missionária seria algo pioneiro para a equipe e também para a igreja que nos recebeu. Por ser algo pioneiro também sabíamos que a própria oportunidade nos proporcionaria a experiência e o entendimento da real necessidade do povo. Não basta conhecer bem o objetivo da missão, temos que conhecer o povo e suas condições de forma prática para que a missão tenha êxito.
Nosso objetivo era servir ao povo e ensiná-los na palavra de Deus, conforme foi o pedido do Pr. Pedro ao Pr. Junior. Em umas das conversas que tive com o Pr. Pedro em Belo Horizonte, ele relatou algumas questões que ressaltou serem necessárias investirmos. Ele estava reconhecendo que a Igreja brasileira tem recebido o suficiente de Deus para repartir com as outras nações. Quando perguntei a ele o que considerava ser a real necessidade da Igreja em Moçambique e na África, ele disse que era a falta de ensino na Palavra. Na verdade muitos pastores nem sequer tem bíblias.
Em um dado momento ele explicou que a África tem recebido muitos missionários, porém de um modo geral não tem sido algo que tem gerado um resultado tão acurado. Quero dizer, quem vai muitas vezes está mais preocupado em suprir suas próprias expectativas do que necessariamente corresponder com a real necessidade do povo. Ele nos deu alguns exemplos de organizações, ministros e ministérios que estão focando suas idas, em cruzadas evangelísticas onde muitos se decidem por Jesus e alí mesmo são curados; (não que este formato seja errado, porém, baseado no que o pastor local comentou, só não é a estratégia que mais tem sucesso depois que o evento termina).
Agora quero explicar de forma clara para que possamos compreender melhor. Enquanto conversavamos o pastor explicou que os africanos vivem debaixo de muita tradição familiar e religiosa. Eles são um povo muito espiritual, e sua espiritualidade é em sua maioria voltada para as obras das trevas. Existem muitos enganos na cultura. Até muitos cristãos consultam bruxos para saber acerca de questões de suas vidas. Muitos creem que precisam sempre fazer oferenda aos mortos para que os mortos velem por eles na terra. E quando algo lhes é causado, como uma doença ou morte, eles creem que foi porque o morto ficou chateado e deixou de olhar por eles, e por isso precisam agradá-lo mais. Com isso pactos são sempre renovados. Eles são muito ligados às questões espirituais que diz respeito aos antepassados mortos. A fé nos antigos constumes é tão grande que eles levam concientemente a tradição familiar adiante para honrar os seus patriarcas, e se um membro da família conhece Jesus e abandona a tradição, esta pessoa é descriminada e abandonada pela própria família. Então quando vamos como missionários de curto prazo, tudo o que queremos é ver resultado. Queremos almas, e isso lá tem muito. Queremos milagres. Quando o povo ver os “brancos” chegando eles se emocionam e no primeiro apelo aceitam qualquer coisa que propusermos, e assim entram na estatísca dos alcançados; quando na verdade depois que os “brancos”voltam às suas nações, o povo volta a praticar as mesmas práticas, porque é o que estão acostumados a fazer. Voltam a colocar a farinha na sala para os mortos, colocam o lenço debaixo do travesseiro para lembrar um ente querido, enfim, o resultado é muito mais demorado quando focamos apenas na estatística e na resposta do momento e não na raiz da necessidade do povo.
Eis Alguns enganos, inseridos na crença popular pelo diabo, para destruir qualquer possibilidade de vida às próximas gerações:
-- Se um homem com Aids, estuprar uma criança, ele poderá ficar curado.
- Ouvi relatos de missionários que estão lá em Moçambique, de crianças que chegam aos hospitais em estado deplorável, devido aos abusos.
-- Se um homem com Aids estuprar uma mulher nos primeiros dias de sua viuvez, ele poderá ficar curado.
Estes são alguns detalhes de uma situação muito delicada e que está enraizada nos fundamentos da cultura. Não que a cultura em sí imponha tal coisa, porém o conjunto de costumes e tradições estabelecidos sobre valores malígnos, fazem com que o povo viva e corresponda com o que é vivido pelos outros, e assim vai se passando uma cultura de geração em geração.
Em minha avaliação o grande e maior problema é o fato da Igreja viver à luz dos costumes e tradições da cultura, e ainda tentar aplicar o evangelho à sua realidade e não a sua realidade ao evangelho. É lógico que em diferentes níveis isto termina acontecendo em todas as nações da terra também.
“Portanto o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento; e os seus nobres terão fome, e a sua multidão se secará de sede. Is. 5:13”
A missão.
De maneira alguma fomos a África – Moçambique para ensiná-los como devem viver ou como devem ou não fazer as coisas em sua própria nação. O alvo foi servir ao povo, atendendo ao seu pedido por ajuda, e dentro do que entendemos ser a maior ferramenta de transformação lhes ensinamos a Palavra de Deus. Era maravilhoso ver quão sedentos e famintos pelo conhecimento estava aquele povo. Os olhos deles brilhavam a cada versículo que ouviam, a cada palavra ministrada.
Nosso objetivo central era poder ministrar a Palavra de Deus de forma clara e acessível a todos; fossem líderes, membros de igrejas, crianças ou descrentes. O primeiro passo para isso foi organizar as conferências, onde em horários diferentes foram ministrados Líderes/adultos e crianças. O mesmo conteúdo foi ensinado dentro do contexto de cada grupo.
Os temas abordados na Conferência do Espírito Santo foram:
-- Arrependimento.
-- A importância da Palavra de Deus.
-- A capacitação pelo Espírito.
-- Batismo no Espírito Santo.
-- Nossa real posição em Cristo.
-- O coração Paterno de Deus.
-- Destino e Identidade
Foi maravilhoso ver a forma com que Deus respaldou a Sua Palavra. Cada ministração vinha acompanhada de grande manifestação da presença do Pai. Tivemos muitos batismos e curas durante toda conferência. Queríamos garantir que todos entenderiam que o mesmo Espírito que guiou Jesus está hoje residindo em cada um de nós, e que tudo que Jesus fez foi pela capacitação do Espírito Santo. Se Ele precisou ser cheio do Espírito Santo para cumprir a Sua missão, assim nós também se quizermos ter êxito no propósito pelo qual fomos chamados.
Como falei antes, até muitos pastores não tem acesso a bíblia, e o que diremos do próprio povo. Por isso Deus agraciou a esta equipe a levar mais de 1.000 (mil) bíblias. Algumas pessoas se mobilizaram e investiram neste projeto. Deus seja louvado por isso!
O próximo passo agora seria conseguir entrar no país com esta quantidade de bíblias. Já tinhamos ouvido muitas pessoas falando que seria complicado entrar com tantas bíblias, porém estávamos certos de que o Senhor nos guiaria com êxito em todo passo que Ele mesmo estava nos orientando. No momento que pisamos no solo do aeroporto de Maputo, dava para sentir tamanha desorganização em vários setores. Pelo menos duas malas do nosso grupo havia sido extraviada, e logo percebemos que na sala para fazermos reclamação de bagagem, haviam mais de 15 pessoas reclamando da mesma situação. Os residentes naquela nação nem sequer se espantavam com o acontecido, diziam que isso era comum acontecer. No dia seguinte recebemos nossas malas extraviadas, porém relatei isso para mostrar que uma cultura pode reger e influenciar qualquer meio social.
Outra coisa em que investimos bastante foi em relacionamentos. Conhecer o povo, saber dos seus anseios e suas necessidades visíveis e invisíveis. Cada visita, palavra, abraço e amor liberado era uma camada permeada em almas tão sofridas e torturadas pelo descaso e exploração. Foi maravilhoso expressar o amor de Deus àquele povo. Algo que nos impactou muito foi ouvir um pastor que nos disse: “Vocês acenderam uma chama em nós que vai ser muito difícil de apagar”
Esta experiência só me fez entender ainda mais a MISSÃO de Jesus. Havia um foco, e o alvo era que cada indivíduo entendesse o plano de Salvação e fossem redimidos pela obra de Cristo na Cruz. Que recebecem o espírito de adoração e vivessem em sua real posição em Cristo Jesus. A multidão era atraída a Jesus pelo nível de Reino de Deus que emanava Dele, porém seu foco era INDIVÍDUOS. Pois a transformação genuína de um indivíduo pode revolucionar uma nação inteira.
A continuar ... Parte II.
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